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Clube da Luluzinha

Lulu51

 

Domingo de manhã resolvi explorar o famigerado Lulu, aplicativo do momento que prometia ser a vingança das mulheres contra a canalhice masculina (?). Baixei sem saber o que esperar, cheia de curiosidade e expectativa. Tomei um susto logo de cara ao me deparar com a “avaliação” de um ex-namorado. Críticas ou elogias à parte, aquilo desceu mal. Ver uma pessoa que me é cara ter a vida exposta à sua revelia me causou um tremendo desconforto.  Se foi indigesto para mim, que dirá para o sujeito que se viu naquela vitrine virtual.

Fui esbarrando com outros perfis  – vários de amigos – e suas respectivas hashtags (#AmigosLosers, #NãoFazNemCócegas) e choquei. Então é assim que as mulheres respondem aos caras babacas que liberam fotos das gatinhas na rede? É assim que se dá o troco no imbecil que te comeu e não te ligou? Isso me soa mais como recalque do que qualquer outra coisa.

Lendo outros comentários nas redes sociais descobri que o Lulu foi criado por duas americanas que, com medo de se relacionarem com desconhecidos, inventaram um mecanismo de defesa contra possíveis psicopatas e malucos em geral. Acho válido. Só que aqui a ferramenta se transformou em chacota pública e ultraexposição vexatória. Não compactuo com o movimento.

É claro que a curiosidade em ver seus conhecidos sendo rankeados é grande. Algumas classificações são engraçadas e, muitas vezes, até úteis. #TrataMalGarçon para mim é algo que diz muito sobre o sujeito, mas não vale o show.

Li argumentos de mulheres em defesa do aplicativo justificando que falar sobre a performance do cara é algo que todas fazem. Ora, numa mesa de bar, entre amigas, natural. Homens também o fazem. Mas existe uma significativa diferença entre um bate papo entre amigos e uma classificação – feita de maneira anônima – para quem quiser ver.

Pode-se dizer que nem todos os comentários são depreciativos, existem elogios também. Uma conhecida contou que só enalteceu o perfil do namorado no Lulu. Qual a necessidade disso? Vai ficar botando o cara na roda? Não pesquei a lógica. E falar mal de um cara que não te ligou no dia seguinte, por quê? Não parou para pensar que talvez o problema seja com você?

Não sei, mas faço coro com a definição de um amigo: Lulu é a mulher tentando se aproximar do comportamento masculino, só que ao invés dos caras ficarem mais legais, nós é que ficamos mais babacas.